Software livre, capitalismo, socialismo e um possível caminho novo
Discussão do uso de Linux por iniciativa privada ou estatal que deram errado (computadores/eletrodomésticos baratos e inclusão digital por licitação) e os que parecem que vão dar certo (ChromeOS e Pardus Linux). Reflexão sobre sistemas econômicos (capitalismo/socialismo) e por fim (mais polêmico!), sugestão de um caminho novo para uma sociedade ideal.
Parte 4: O software livre inspirando novos caminhos
Para os teóricos capitalistas e socialistas será bem provocante, mas agora que vimos que a generalização "capitalismo é sempre bom/ruim" ou "socialismo é sempre bom/ruim" dependem da cada situação, dessa vez pergunto se as lições aprendidas com o movimento do software livre não poderiam ser generalizadas para pensar novos caminhos por uma sociedade ideal.
Na essência, temos um produto/serviço que uma parte desenvolve e outra usa e que está se aperfeiçoando permanentemente, e onde se chega ao interesse coletivo genuíno.
Vou listar algumas lições que dá para tirar disso:
Bom, esses tópicos acima fui rascunhando livremente sem sistematizar muito, mas espero (que pretensão!) que sirvam para se pensar em novos caminhos que podem surgir para pensarmos numa sociedade ideal, sem nos atermos à defesa apenas teórica do capitalismo ou socialismo (a maioria faz defesa apriorística de um ou do outro sem pensar na execução prática).
Na essência, temos um produto/serviço que uma parte desenvolve e outra usa e que está se aperfeiçoando permanentemente, e onde se chega ao interesse coletivo genuíno.
Vou listar algumas lições que dá para tirar disso:
- definitivamente busca de lucro e motivação não estão sempre juntos. Basta vermos a história do software livre: houve grandes colaboradores sem tino empresarial e boas tacadas empresariais sem grande contribuição para o sistema.
- olhar a interação entre unidades desenvolvedoras das versões de Linux e ver que não necessariamente um quer tomar o lugar do outro. Acho que aprender a enxergar vendo essa interação e o conjunto é um bom exercício.
- é possível criar motivação sem a concorrência, é possível formar consórcios que não visem o lucro mas apenas desenvolver o projeto. E aliás, é possível nesse momento observar como andam as empresas e produtos que entram nesses consórcios. Vide os sistemas operacionais para celulares (Android, Symbian, novo Palm), o desenvolvimento do Firefox e novas tecnologias em que o próprio Firefox é um dos participantes do consórcio (como no desenvolvimento da tecnologia WebGL). Em suma, em administração se costuma pensar que só após consolidação no mercado e vencendo os concorrentes que se pode partir para desenvolvimento de novos produtos. Se fosse assim muitas tecnologias não estariam no nível que estão.
- para os socialistas: é possível criar um ambiente de desenvolvimento de um produto sem que esse produto seja o único (há várias versões de Linux, e aliás fora o Linux há outros sistemas sendo desenvolvidos de forma livre).
- até agora se costuma pensar que só após a estatização geral é que dá para começar a pensar no bem coletivo, mas talvez haja outras formas, e frise-se que não estou propondo uma terceira via (social-democrata) que é o pacto entre Estado e empresariado, estou falando de uma via para o qual talvez nem seja necessário criar ou alterar uma jurisdição, do estado assumir algumas coisas etc. Estou falando de entre as pessoas surgirem iniciativas delas mesmas mas que não são propriamente empresas.
- pegando o exemplo do vidro, não se trata das pessoas formarem uma empresa para fornecer vidro, nem o Estado fazer tudo sozinho. Talvez as pessoas possam formar consórcios de aperfeiçoar o vidro sem visar lucro (e note-se que não é bem uma cooperativa), colhendo informações sobre o que as pessoas querem...
- s universidades trabalhando de forma autônoma é que deram origem ao software livre, no máximo houve algum político que se gabou de direcionar mais verbas para universidade, mas nenhum político se gabou de ter criado um software livre (pelo que sei, nenhum político associa sua marca à de Pardus Linux, e as pessoas agradecem ao ex-ministro Gilberto Gil, mas como apenas como incentivador do movimento do software livre, e por sua vez, ninguém desse movimento, diferentemente do movimento sindical por exemplo, vira político dizendo-se "cara" do movimento)
- mas notar que o software livre se disseminou por sua natureza copiável (passável de um hardware para outro). E é por isso que basicamente nunca o movimento de hardware livre será tão disseminado quanto o de software. Quando se fala em produtos, a imensa maioria, tal como hardwares, têm limitações físicas. Se o software, como produto, se desenvolveu graças à sua natureza de se replicar sem custos (ou melhor, existentes, mas mínimos como compra de mídias como CDs etc), talvez uma ajuda estatal seja necessária para simular pelo menos parte dessa facilidade. Por exemplo, se as pessoas querem ajudar a desenvolver um produto, que alguns detalhes como transporte, máquinas seja facilitada.
- aliás os colaboradores são pessoas que desenvolvem melhorias nos seus computadores, que por sua vez são suas estações de trabalho (de custo reduzido) e compartilhando pela internet, mantém uma rede de trocas. Daí ter falado entre auxílio para maquinaria e transporte para simular essa facilidade no desenvolvimento de produtos físicos. E frisando novamente, se o computador pode ser uma estação de trabalho, as pessoas poderiam entrar nos consórcios sem fins lucrativos também porque esses consórcios são uma espécie de centros de pesquisas não-governamentais, mas também não-empresariais (talvez algo que mais se aproxime desse modelo sejam algumas incubadoras tecnológicas existentes em algumas grandes universidades).
Bom, esses tópicos acima fui rascunhando livremente sem sistematizar muito, mas espero (que pretensão!) que sirvam para se pensar em novos caminhos que podem surgir para pensarmos numa sociedade ideal, sem nos atermos à defesa apenas teórica do capitalismo ou socialismo (a maioria faz defesa apriorística de um ou do outro sem pensar na execução prática).