Sucata - Que SO usar em PCs antigos?
É sempre um problema escolher qual sistema operacional usar em computadores antigos, tanto quando se está tratando de Windows, como quando se está tratando de Linux. Será que vale a pena instalar o Win98 e ter problemas a cada 3 meses? Vale a pena instalar as distros Linux "leves", como o Damn Small Linux?
Parte 3: Quanto ao GNU/Linux
Conectiva
Essa foi uma das distros mais respeitadas do mundo. Foi uma variante brasileira do Red Hat (distro americana). A grande vantagem da distribuição era a constante inovação que trazia para as distros Red Hat-like, como o desenvolvimento do Synaptic e a adaptação do APT (originalmente front-end do DPKG, o gerenciador de pacotes do Debian - .deb) para gerenciamento de pacotes RPM (sistema de pacotes da Red Hat).Outra grande vantagem da Conectiva era o fato de grande parte dos arquivos de configuração e programas do sistema serem traduzidos para o português. Além de possuir uma instalação básica simples, haviam também diversas outras opções de instalação avançadas, o que permite uma melhor customização do sistema.
A grande desvantagem do sistema é ela ter sido descontinuada. Na verdade a Conectiva foi comprada pela Madrakesoft, fundindo as distribuições surgiu a Mandriva; digo que foi descontinuada pois com o lançamento da Mandriva, as versões antigas da Conectiva foram abandonadas e o foco da distro mudou bastante. Como não tenho mais informações sobre a Mandriva, não comento sobre ela.
Ubuntu e Kurumin
Trato destas duas distros em conjunto pois acredito que pontuam e pecam nos mesmos aspectos. O foco de ambas é o "usuário final"; o que abre espaço para pensar-se: "grande coisa, o Windows também é". Nesta hora vale a pena recorrer ao slogan do Ubuntu ("Linux para seres humanos"), ou seja, imagine um sistema operacional para "qualquer um", sem as desvantagens do Windows.O interesse do Ubuntu e do Kurumin não parecem ser propriamente competir com o Windows, mas a comparação foi inevitável. Parece ótimo, um sistema completo que pode ser usado tanto por usuários avançados, quanto por usuários novatos. Mas, as coisas não são tão simples assim (vide, por exemplo, esse outro artigo que escrevi).
A pergunta nesse caso é: quem é o usuário final? Você é o usuário final? Se você é dono de um computador antigo, dificilmente você está nesse grupo. Como eu disse antes, o segredo de aproveitar um computador antigo é aprender a abrir mão de certas coisas e conhecer as alternativas.
Ambos, Kurumin e Ubuntu, vem configurados by default com uma série de aplicações que exigem muito de um computador antigo (como o KDE e o Gnome), além de uma série de serviços que ocupam memória e processamento, mas que nem sempre serão usadas; justamente para agilizar o trabalho do usuário final, que não precisa instalar os pacotes referentes caso queira utilizar o serviço, mas em nosso caso, é sempre um problema ter muitos serviços habilitados por padrão, ocupando recursos da máquina, se não há certeza do uso.
Uma das grandes chateações desses SO é o processo de instalação. Para instalar os sistemas é preciso bootar o live-cd e através da interface gráfica executar o instalador; o live-cd sobrecarrega a capacidade do PC e torna a instalação demorada e onerosa, mesmo em computadores medianos (que depois da instalação concluída rodam o sistema com bom desempenho).
Damn Small Linux 3.3 e 3.4
Sempre que alguém pergunta por uma distro para computadores antigos em algum fórum, a DSL é indicado enfaticamente por outros membros. De fato, essa distro é muito famosa. Experimentei ela em diversos momentos de minha trajetória pelo Linux, mas nunca me senti muito à vontade para usá-la permanentemente.O grande "toque" da DSL é o seu bom desempenho como live-cd, mesmo em computadores antigos; uma falha constante em distros live-cd, quando se roda diretamente do CD é quase impossível usar o sistema, caso o computador não esteja munido com pelo menos 256 MB de memória. Como uma distro de emergência a DSL se mostra muito útil, possui muitas opções de boot, o que torna possível driblar incompatibilidades. Mas, daí para usar como o sistema operacional padrão, de uso diário, é outra história.
O segredo do desempenho da DSL é o fato de ser baseado em uma versão antiga do Debian, a 3.0 (Woody, de 2002) - no "Universo Linux" isso é usar uma distro muito antiga. Além possuir menus confusos é de sua configuração difícil e problemática.
Debian 4.0
Foi o sistema que escolhi para rodar em um Pentium MMX 233 MHz com 64 MB de memória. Muitos tem medo de usar uma distribuição raiz, como o Debian, pois elas seriam mais ortodoxas e, portanto, mais difíceis; isso é verdade, mas essa "dificuldade" não é tão grande assim.Costumam dizer que a instalação do Debian é difícil. Talvez até seja verdade, mas qualquer usuário acostumado com particionamento de disco e que já tenha instalado um sistema como o Ubuntu não terá nenhuma dificuldade grande.
Escolhi o Debian por vários motivos, dentre eles:
- Estabilidade: não raro computadores antigos são instáveis no hardware (principalmente por conta de maus-contatos), um sistema instável poderia ampliar o problema.
- Sistema de gerenciamento de pacotes completo: o APT é uma ferramenta muito boa, tanto para instalar softwares, como para buscar programas que possam servir como alternativa, pois possui repositórios ótimos, com uma quantidade imensa de pacotes.
- Pacotes atuais: com o lançamento da versão 4.0, a distro trouxe para a versão estável pacotes atuais. Como eu já afirmei no inicio desta série, a atualidade do software é um requisito essencial para um bom uso do sistema.
- Instalação mínima leve: tudo o que eu falei até aqui sobre o Debian serviria também para outras distros debian-like, como o Ubuntu, entretanto, o Debian possui um diferencial importante, o fato de ser instalado naturalmente mais leve que suas variantes habituais, poupando trabalho na hora de "limpar" o sistema.
- Diversas opções de instalação: o Debian pode ser instalado tanto em modo texto, quanto com interface gráfica, além de possuir várias opções de instalação.
- Grande facilidade de encontrar suporte: há um número muito grande de usuários do Debian e suas variantes, portanto, há uma quantidade enorme de material disponível na internet.