Porque Gentoo semi-binário atualmente (desabafo)

Apenas uma falação sobre minha experiência atual com Gentoo.

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Por: Xerxes em 14/03/2026


Introdução



Atualmente estou usando Gentoo com Cinnamon.

Linux: Porque Gentoo semi-binário atualmente (desabafo)

Em um artigo anterior eu basicamente reclamei sobre o Gentoo, dei vários motivos do porquê não valia a pena usá-lo:
O artigo me rendeu mais que vinte curtidas, e nenhuma descurtida, o que é considerado "bom" para os padrões do Viva o Linux. Senti que minha opinião havia convergido com a de várias pessoas.

Mas aqui estou eu, anos depois, voltando ao Gentoo. O que mudou? Engraçado que nada mudou. Após reler o artigo de 2021, ainda consigo concordar com cada um dos pontos que eu havia levantado.

Isso pode parecer contraditório. Mas pretendo deixar aqui outro desabafo que justifica a mudança. Não que isso importe para você, mas é que eu estou com tempo livre e resolvi jogar alguns pensamentos fora.

Vamos lá.

Durante algum tempo eu passei a usar Linux Mint, uma distribuição que eu respeito bastante. Na minha visão ela consegue ser melhor que Ubuntu, pois herda o que há de bom no Ubuntu, mas sem as partes ruins como forçar snap. Também considero Mint uma verdadeira distro "out of the box".

Literalmente, após instalar Linux Mint, o sistema está todo pronto para uso sem precisar fazer nada adicional. Óbvio que você pode querer fazer algumas mudanças, mas elas não são realmente necessárias.

APós um algum tempo usando o Linux Mint (ou mudando ocasionalmente para POP OS! e Zorin) eu senti uma coisa que muitos usuários Linux podem sentir, se possuem tempo livre e um pouco de hiperfoco em Linux: tédio.

Provavelmente você já deve ter entendido tudo. Sim, foi o tédio que me trouxe de volta ao Gentoo. O Linux Mint é "perfeito demais". Eu queria quebrar a cabeça para resolver problemas e me desafiar.

Acontece que a curva de aprendizado do Gentoo é um grande desafio. Não é à toa que o fórum do Gentoo está cheio de perguntas complicadas. Então, além de ter que esperar pacotes serem compilados, o que pode levar dias, o usuário ainda precisa esperar dias pela resposta de um usuário mais experiente no fórum, para sanar alguma dúvida.

Bem, pelo menos isso ERA verdade.

E isso nos trás a um novo lugar nessa caminhada gentooísta. O gentoo se tornou "binário" em 2023:
Obs.: na prática nem todos os pacotes serão binários. Caso os binários não "batam" com o make.conf, ele será compilado de toda forma. Mas isso já nos dá um ganho de tempo interessante.

Nesse mesmo ano o ChatGPT começou a se popularizar, se não me falhe a memória.

Dessa forma eu praticamente vi elimniadas as duas coisas que poderiam me trazer frustação no Gentoo: a demora em compilar e a demora para esperar resposta em fóruns (ou garimpar respostas dos outros).

O ChatGPT, Manus ou Gemini tem me ajudado a resolver dúvidas sobre o sistema, ao mesmo tempo que incluir pacotes binários acelera drasticamente a manutenção dele. Tudo isso ainda não retira a complexidade do Gentoo, mas torna muito mais viável utilizá-lo.

Por isso, desde que voltei ao Gentoo eu já instalei o sistema em quatro máquinas, todas com BTRFS, LUKS, Timeshift e Zram. Tornei uma delas meu servidor caseiro, com um "banco" de créditos para meus filhos (mesada), servidor de música (Navidrome, como um Spotify particular), Tailscale para acesso fora da rede local, backup de arquivos com o Syncthing, e outras coisas.

E não, eu não estou sendo falso ao me considerar "noob". Apesar de usar Linux por anos, eu nunca me considerei experiente. Sempre esqueço MUITA coisa, tenho que pesquisar e usar IA para resolver problemas. Um dos motivos pelo qual eu crio dicas e artigos é registrar o que eu fiz para minha própria consulta. Em resumo, não é que a IA e os pacotes binários tiraram a complexidade em usar Gentoo, mas reduziram o tempo para se fazer as coisas. Então, se você tem um pouco de hiperfoco em Linux e quer se aventurar, Gentoo é uma boa opção.
   

Páginas do artigo
   1. Introdução
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Comentários
[1] Comentário enviado por Zoiudo em 15/03/2026 - 07:50h

Cara, não fala desse jeito (ajeitar as coisas para ter mais produtividade) pois pode ofender os mais sensíveis, como fazem alguns que falam mal do Debian de modo quase religioso e condena ao inferno os usuários que o escolheram, hehehe...

[2] Comentário enviado por lobzmedunimes em 15/03/2026 - 09:38h

Ótimo texto, Xerxes!

Fui usuário de Gentoo por muitos anos, hoje dei uma cansada dele, talvez esses pacotes binários ajudem a ter gosto de novo.
O problema não era compilar o que era necessário para o sistema, mas a falta de integração dos ebuilds, fazendo com que cada programa que compilasse, lá vinha a versão de llvm, clang do projeto, e aí se perdia mutio tempo. Foi brincando com o LFS ( https://www.vivaolinux.com.br/screenshot/TWM-From-scratch-e-simplicidade/ ) que aprendi que muitas dessas pilhas de versões dos compiladores no meu sistema eram só por causa do ebuild.
A ideia de uma base estável e você usar flags agressivas nos programas que for usar me apetece mais, por isso voltei para o Slackware! E que aprendi com você! ( https://www.vivaolinux.com.br/artigo/Mamae-quero-Slack-(parte-1) ). Coisa que, verdade seja dita, até o Daniel Robbins pensou quando criou o Funtoo.
Gostei também, e muito, do FreeBSD. Para o meu uso, só faltou o suporte a bluetooth.
Bem, fica aqui também meu desabafo

[3] Comentário enviado por xerxeslins em 15/03/2026 - 09:42h


[1] Comentário enviado por Zoiudo em 15/03/2026 - 07:50h

Cara, não fala desse jeito (ajeitar as coisas para ter mais produtividade) pois pode ofender os mais sensíveis, como fazem alguns que falam mal do Debian de modo quase religioso e condena ao inferno os usuários que o escolheram, hehehe...



Hehehe não sabia que havia gente que odiava o Debian nesse nível!

[4] Comentário enviado por xerxeslins em 15/03/2026 - 09:43h


[2] Comentário enviado por lobzmedunimes em 15/03/2026 - 09:38h

Ótimo texto, Xerxes!

Fui usuário de Gentoo por muitos anos, hoje dei uma cansada dele, talvez esses pacotes binários ajudem a ter gosto de novo.
O problema não era compilar o que era necessário para o sistema, mas a falta de integração dos ebuilds, fazendo com que cada programa que compilasse, lá vinha a versão de llvm, clang do projeto, e aí se perdia mutio tempo. Foi brincando com o LFS ( https://www.vivaolinux.com.br/screenshot/TWM-From-scratch-e-simplicidade/ ) que aprendi que muitas dessas pilhas de versões dos compiladores no meu sistema eram só por causa do ebuild.
A ideia de uma base estável e você usar flags agressivas nos programas que for usar me apetece mais, por isso voltei para o Slackware! E que aprendi com você! ( https://www.vivaolinux.com.br/artigo/Mamae-quero-Slack-(parte-1) ). Coisa que, verdade seja dita, até o Daniel Robbins pensou quando criou o Funtoo.
Gostei também, e muito, do FreeBSD. Para o meu uso, só faltou o suporte a bluetooth.
Bem, fica aqui também meu desabafo


Insteressante! Apesar das aparências, pelos relatos que andei lendo o Slckware segue firme e forte!

[5] Comentário enviado por Buckminster em 15/03/2026 - 16:19h

Ótimo texto!
Principalmente nessa parte: "Apesar de usar Linux por anos, eu nunca me considerei experiente. Sempre esqueço MUITA coisa, tenho que pesquisar e usar IA para resolver problemas. Um dos motivos pelo qual eu crio dicas e artigos é registrar o que eu fiz para minha própria consulta."
Penso do mesmo jeito, até porque é muita coisa para se guardar na cabeça, um montão de comandos que nem 20 anos usando Linux se consegue decorar todos.
Agora com as IAs a coisa melhorou muito. Antes tinha de se traduzir manualmente o man.


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