Pessoalmente, eu sempre trabalharia com um formato aberto, portável.
Isso implicaria na necessidade de ter em todos os lugares a possibilidade de lidar com formatos abertos, o que não é o caso do MS-Office.
Quanto à questão de estar o usuário acostumado com isso ou aquilo, tenho de discordar em parte, porque o prório MS-Office tem-se modificado sensivelmente a cada versão, e sempre há um novo aprendizado, mesmo pequeno, a ser cumprido.
Particularmente, e já comentei isso por aqui, o Word mais eficiente foi o 6.0.
Ele era menor, mais rápido, mais simples e apresentava mais recursos que seu sucessor (97).
Word 97 exigia 4 vezes mais memória para funcionar com estabilidade, e suas "melhorias" (especialmente se considerarmos o usuário mediano) passaram a ser de ordem cosmética.
No Word 6 podíamos preencher o background de uma tabela (ou de uma célula) com degradê. Hoje isso é impossível, a não ser que usemos uma figura.
Então melhoramos para pior, não é mesmo?
Word 6 (com 8MB RAM) já salvava em .RTF e .DOC e os arquivos resultantes eram menores e menos sujeitos a erros.
E já que falamos nisso, esses formatos, da forma com que foram implementados pela MS, podem ser muito perdulários, em especial se usarmos o recurso de auto-gravação, pois o Word grava uma nova cópia do texto e de sua formatação em seguida à anterior.
Dessa forma, se fizermos 10 gravações automaticas de um mesmo texto, teremos o texto repetido (e acrescido) 9 vezes.
O texto vai crescendo a cada segmento. E se houver qualquer erro entre os segmentos, o arquivo não poderá ser lido.
Na prática isso não incomoda muito, principalmente se tivermos memória RAM sobrando e se o sistema estiver bem instalado.
A melhor maneira de constatar isso é copiar literalmente o arquivo (não apenas "salvar" ou "salvar como"). Veremos que o arquivo resultante é MUITO menor que o original, e que abre mais rapidamente.
No Word 2003 com uma RAM de 128MB (16 vezes mais) poderemos eventualmente notar flutuações e travamentos indesejáveis e perda de controle do mouse por alguns momentos. Com 198MB esse fenômeno para de se manifestar.
Mais uma vez, melhoramos para pior.
Essas melhorias implicam em uma maior facilidade de uso? NÃO!
Já vi computadores "de loja" com o Windows Vista e o OpenOffice ou BR-Office instalados, e os usuários geralmente os usam sem notar diferença alguma, até que chegue um "entendido" (o tal "mechânico", que mexe em tudo) e insista em mudar para o Office 2007 (ou superior) piratão porque segundo seus próprios conceitos e sua total conveniên$$ia, é "melhor" enquanto o produto de código aberto simplesmente "não presta".
Como afirmei acima, sou partidário do odf mas também temos que ter vistas aos usuários preponderantes, que usam formatos proprietários. Assim sendo, acho que esse artigo é muito importante para ser discutido. E se fosse apenas uma dica, a meu ver teria igual importância.
Também gostaria de acrescentar que NÓS vestimos a camisa do software livre, do código e dos formatos abertos.
Porém o usuário mediano não tem a mesma visão nossa e vai querer usar aquilo a que já está acostumado.
Então precisamos trabalhar com documentos "complexos", mas não "complicados", inclusive para poder proporcionar-lhes maior portabilidade.
Existem várias formas de se fazer um documento, e uma delas deverá ser aquela que é certa e adequada - embora os demais resultados pareçam semelhantes.
Quem acompanha as listas de discussão sobre OpenOffice/BrOffice sabe que como os formatos da Microsoft não são abertos, o suporte dado a estes formatos não é 100% e salvar documentos em outros formatos que não ODF pode levar a perda de informações e/ou formatações, especialmente em documentos com formatação mais complexa e baixo uso de estilos.
A implantação da suite livre deve ser acompanhada sempre de um apoio técnico inicialmente forte e treinamento de pessoal, buscando efetivar uma mudança de cultura.
Sou da opinião que salvar no formato Microsoft (doc, ppt, xls) deve ser uma alternativa para situações adversas, não o uso comum.