Já por duas vezes fiz comentários quanto à feliz e bem sucedida iniciativa de uma prefeitura dos arredores do Rio de Janeiro em implantar o Linux, e em ambas as vezes fui corrigido pelos colegas, no sentido de que não apenas essa, porém MUITAS E MUITAS outras, tiveram sucesso absoluto na implantação de software livre.
Ora, se VÁRIAS tiveram sucesso e outras não, então deve haver alguma falha em algum lugar, não é mesmo?
Do hardware não é, do software também não.
Sobrou aquela peça que fica colocada entre a cadeira e o teclado, e que emperra qualquer sistema, qualquer planejamento, tudo.
O pior virus que possa existir é a má vontade, a ineficiência, o preconceito.
Estranho a afirmação de que a Caixa esteja migrando para software livre, de vez que nem mesmo o que é proprietário (plataforma Windows) funciona direito.
Deve ser problema de "goto performado" (o equivalente informático da "rebimbela da parafuseta").
Aí a coisa não funciona e o culpado será o Linux?
Tenho observado que nós brasileiros sentimos uma inexplicável necessidade de uma "computação recreativa", mesmo que isso crie sérios embaraços à parte funcional.
-Email: Todos sabemos que é muito mais producente enviar e receber email em texto plano.
No entanto, a maioria dos usuários prefere fazer trafegar pacotes enooooormes em html.
-Scraps do Orkut: Mais uma prova de que por aqui adoramos entulhar a web com lixo de toda espécie. Dessa forma não há broadband que dê jeito...
Não é sufuciente mandar uma simples mensagem (do tipo "oi, eu te amo!"): O negócio é enviar aquelas mensagens prontas, animadas, cheias de detalhes gráficos, e que levam um tempão para carregar.
Estamos usando cada vez menos a nossa capacidade de pensar e até mesmo de nos expressarmos.
HTML na construção de sites: "Ora, html está ultrapassado!". Então o negócio é copiar-e-colar os templates e os scripts que andam por aí pela web afora (seja html, css, etc.) ou fazer no Frontpage e outros que tais (sai horrível, mas não dá trabalho, não é)?
Existem muitos outros exemplos, mas esses já são mais que suficientes.
Infelizmente a preguiça mental, associada à picaretagem e à politicagem, vem assolando este país com uma velocidade assombrosa.
Acho que estamos perdendo o incentivo de exercitar nosso dom de raciocínio, em favor de apertar algum botão virtual ou de copiar coisas já mastigadas, por vezes insípidas, por vezes com o sabor amargo da ignorância e do desleixo.
Resumo da ópera:
Dá para migrar SIM, e deve migrar no sentido de conseguir os reais objetivos funcionais (e não apenas os recreativos).
Cada caso será diferente dos demais, pois as empresas sempre têm personalidades próprias. No entanto, tudo aquilo que é de natureza pública deveria por definição ser econômico, funcional e objetivo - e padronizado.
O "dever migrar" pode ter em seu bojo a opção de continuar tudo em plataforma proprietária, e essa opção deve realmente ser considerada.
No entanto, há de se considerar como prioritária a portabilidade dos arquivos produzidos, e nesse quesito é totalmente contraproducente que uma plataforma proprietária não dê suporte a um formato aberto.
Ainda ontem demos entrada em uma vasta documentação oficial onde foram exigidos todos os documentos em formato .doc , .rtf etc.
E eles simplesmente ignoram o que seja .odf
Então não adianta migrar, se o antigo ranço continua.
Muito bom este artigo!
Trabalho em uma prefeitura, e surgiu a idéia de migrar a plataforma para Linux, mas não sabia por onde começar.
Numa tentativa anterior, o outro técnico não teve sucesso, e acabou ficando como está. Mas estou animado pra tocar este projeto para frente!
Seu artigo é de grande utilização para todos da comunidade. Sempre que se fala em migrar para Linux os usuários já ficam com um pé atrás, fazem careta e tal... rsrsrs
Valeu Abraço!